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Do Rio ao impacto real, minha jornada no Web Summit 2025

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Felix Harteneck pitching on stage at Web Summit Rio

Já faz um tempo desde Web Summit Rio 2025, e eu queria refletir sobre a minha experiência. Ao subir no Palco Principal no Rio de Janeiro, senti o pulso da inovação e a determinação coletiva de milhares de participantes. Como CEO da InPlanet, tive o privilégio de falar em duas sessões, e ambas foram simplesmente eletrizantes.

Abraçando a Energia do Rio

Como fundador de uma startup climática enraizada no Brasil, não sou estranho à atmosfera do país, mas o Rio é algo completamente diferente. Desde o momento em que entrei no local, a energia era elétrica. Fundadores, investidores e agentes de mudança de todo o mundo convergiram com uma missão compartilhada: escalar soluções para as pessoas e o planeta. O senso de urgência e esperança era inegável. Para qualquer um em tecnologia e clima, este era o lugar para estar.

Comecei minha participação no Web Summit no painel “Limpo, Verde e Feito para Escalar” com Julia Marisa Sekula da Terradot, outra pioneira em intemperismo de rochas aprimorado (ERW), moderado pelo ex-jornalista da BBC Gareth Mitchell. Exploramos como a inovação climática, especialmente o ERW, pode transformar ciência de ponta em impacto escalável. Uma mensagem continuava a surgir: comece com o solo sob nossos pés.

No dia seguinte, subi ao Palco Principal como parte das “Breakout Startups” do Web Summit. Que jornada.

Destaques do Painel: Rochas e não árvores, nosso caminho para a remoção de carbono

Em nosso painel, exploramos a promessa da remoção de carbono impulsionada pela tecnologia, especialmente o potencial do Intemperismo de Rochas Aprimorado (ERW) e a capacidade única do Brasil de escalá-lo. Compartilhei um fato surpreendente: enquanto a maioria das pessoas pensa nas árvores como o principal sumidouro de carbono da natureza, mais de 99% de toda a remoção histórica de CO₂ veio do intemperismo de rochas. Em suma, o motor original de remoção de carbono da Terra não são as florestas, são as rochas.

Essa visão impulsiona a missão da InPlanet. Aceleramos esse processo natural espalhando rocha finamente triturada em terras agrícolas para extrair CO₂ do ar. Graças ao clima e solo ideais do Brasil, a ERW pode funcionar em anos, em vez de milênios. O impacto não se limita ao clima; nossos dados indicam um aumento de até 30% na produtividade das culturas e uma redução de 50% no uso de fertilizantes. Isso é remoção de carbono com benefícios para agricultores, sistemas alimentares e o planeta.

Gareth Mitchell trouxe curiosidade e dinamismo à conversa, enquanto Julia Sekula compartilhou insights poderosos sobre como eles escalam a ERW. Foi um painel de inovadores com ideias semelhantes, alinhados na missão de entregar soluções baseadas na ciência para um futuro habitável.

Crédito da foto: InPlanet

Startups Revelação Apresentando Inovação

No dia seguinte, encontrei-me no Palco Principal como parte das “Startups Revelação” do Web Summit.

Fui particularmente inspirado por colegas empreendedores como Matias Muchnick, o CEO da NotCo, que também subiu ao Palco Principal. A jornada de Matias de reinventar a alimentação com IA e inovação baseada em plantas mostrou que a tecnologia climática vem em muitos sabores (às vezes, literalmente!). Ouvir como ele perguntou “Por que não?” e depois construiu uma empresa unicórnio abordando a sustentabilidade alimentar foi um destaque para mim. Isso ressaltou que, de proteínas alternativas à remoção de carbono, nós, inovadores, somos impulsionados por uma missão compartilhada de criar um futuro sustentável.

Matias Muchnick, Fundador e CEO da NotCo, com Felix Harteneck, CEO e Co-Fundador da InPlanet, no Web Summit Rio. Foto: Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile.

A audiência do Web Summit estava incrivelmente engajada; investidores, líderes corporativos e até estudantes curiosos se aproximaram depois para fazer perguntas. Muitos ficaram surpresos ao saber que o Brasil, sozinho, possui mais de 200 milhões de hectares de terras agrícolas e montanhas de rocha residual que poderiam potencialmente remover gigatoneladas de CO₂ quando utilizadas.

Para um empreendedor, não há nada como o feedback em tempo real de uma audiência tão diversa. Um momento que me marcou foi uma pergunta de um investidor na plateia: “As soluções baseadas em tecnologia de CDR podem realmente escalar para fazer a diferença nas mudanças climáticas?” Isso abriu a porta para eu falar sobre nossa visão. Compartilhei nosso próximo marco, visando alcançar nossa primeira megatonelada de remoção de CO₂ até 2027, e então coloquei isso em perspectiva. Mesmo que atinjamos essa meta, é apenas o começo. Para cumprir as metas climáticas globais, o mundo precisará remover mais de 10 gigatoneladas de CO₂ por ano nas próximas décadas. Isso significa que a indústria de remoção de carbono deve crescer cerca de 50% ano após ano, algo que nenhum setor jamais fez antes. A sala ficou em silêncio ao ouvir esse número. Foi um lembrete sério do desafio à frente, e eu completei com minha convicção de que o momento de agir é agora.

Felix Harteneck no palco principal do Web Summit Rio. Foto: Ramsey Cardy/Web Summit via Sportsfile.

Principais Aprendizados sobre Tecnologia Climática e Escala

Ao final do Web Summit Rio, alguns aprendizados claros surgiram para mim:

1. A Tecnologia Climática Está no Centro das Atenções As salas lotadas e o movimentado pavilhão de exposições deixaram evidente que a tecnologia climática passou da periferia para o centro das atenções. Investidores e compradores estão buscando ativamente soluções que sejam de alto impacto e escaláveis.

2. Escalabilidade com Co-Benefícios Soluções como o Intemperismo Aprimorado de Rochas podem escalar massivamente e entregar co-benefícios. A remoção permanente de carbono que também rejuvenesce os solos e apoia os agricultores não é mais uma teoria; está acontecendo agora. Isso ressoou fortemente com os compradores de créditos de carbono com quem conversei, que estão interessados em créditos que ofereçam impacto climático verificado, além de benefícios sociais e ambientais.

3. A Colaboração Impulsiona a Inovação: Seja comparando anotações com a Julia da Terradot, ou ouvindo os insights de Matias Muchnick sobre como alavancar a IA para a sustentabilidade, percebi que todos fazemos parte de um ecossistema interconectado. Compartilhamos uma missão alinhada e, ao nos incentivarmos mutuamente (e, por vezes, unindo forças), podemos acelerar o impacto. O clima de comunidade no Web Summit, especialmente entre os colegas fundadores de tecnologia climática, foi verdadeiramente motivador.

4. Este é o Momento do Brasil para Liderar À medida que o mundo acelera os esforços para expandir as soluções de remoção de dióxido de carbono (CDR), o Brasil se destaca como um país em posição única para liderar. Com sua rica biodiversidade, força agrícola e crescente influência na política climática global, o Brasil possui tanto os recursos quanto a responsabilidade de estabelecer um novo padrão global para soluções de carbono de alta integridade.

Uma vantagem fundamental reside na matriz energética limpa do Brasil. Aproximadamente 70 por cento da eletricidade do país provém de hidrelétricas, e até 90 por cento é gerado a partir de fontes renováveis no geral (McKinsey, Reuters). Isso faz do Brasil um dos produtores de energia mais verdes do mundo. Ao alimentar tecnologias de CDR com eletricidade de baixo carbono, o Brasil aumenta significativamente o benefício climático líquido de cada tonelada de CO₂ removida. Seja através da restauração florestal ou de tecnologias de ponta como a captura direta de ar, este perfil energético aumenta a credibilidade e a integridade dos créditos de carbono produzidos na região.

Luciana Magalhães, Repórter Corporativa da Reuters, com Felix Harteneck nos bastidores do Web Summit Rio. Foto: Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile.

O Brasil é também um dos países mais biodiversos da Terra, abrigando uma estimativa de 15 a 20 por cento de todas as espécies conhecidas (UNEP). Essa riqueza ecológica permite abordagens de CDR baseadas na natureza, como reflorestamento, agrossilvicultura e agricultura regenerativa. Essas soluções não apenas sequestram carbono, mas também apoiam ecossistemas, fortalecem a resiliência climática e beneficiam as comunidades locais.

Essas forças combinadas colocam o Brasil em uma posição única para influenciar a agenda global de remoção de carbono. O país tem a oportunidade de demonstrar que as soluções climáticas podem ser tanto escaláveis quanto equitativas, enraizadas no rigor científico e no impacto local. Com esforços ativos já em andamento para garantir que os ativos naturais do Brasil sejam geridos de forma responsável e que a inovação apoie tanto as pessoas quanto o planeta, este momento representa um ponto de viragem.

Esta é a oportunidade do Brasil de liderar. Não apenas como participante na ação climática global, mas como um pioneiro na construção do futuro da remoção de carbono.

Gratidão e Impulso para o Futuro

Deixo o Rio com um profundo sentimento de gratidão. Obrigado ao Web Summit Rio por destacar a inovação climática, e aos meus colegas painelistas e palestrantes, e a muitos outros, pela paixão e pelos insights. Um enorme obrigado também a todos que compareceram às nossas sessões, fizeram perguntas e ofereceram apoio. O engajamento de investidores e compradores de créditos de carbono na plateia me dá esperança de que o capital e a demanda do mercado estarão lá para escalar essas soluções.

Esta experiência reforçou por que fazemos o que fazemos na InPlanet. Não estamos apenas combatendo as mudanças climáticas em um laboratório ou em uma fazenda, somos parte de um movimento global que está vivo e prosperando no Rio. De volta à Alemanha, levo a energia do Rio comigo. O futuro da tecnologia climática é verde e está acelerando rapidamente, e estou mais comprometido do que nunca a transformar esse impulso em ação.

Se você esteve no Web Summit Rio ou está interessado na intersecção entre tecnologia climática e soluções escaláveis, adoraria ouvir suas ideias e continuar a conversa. Vamos continuar avançando, juntos.

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