10 min read

Transformando a agricultura com pó de rocha

No items found.
Agricultural field with InPlanet and G1 logo overlay

Transformando a agricultura com pó de rocha para combater as mudanças climáticas: uma entrevista com nosso cofundador e COO, Niklas Kluger

A InPlanet foi recentemente destaque no maior canal de notícias do Brasil. Em uma entrevista com G1, do gigante da mídia Globo, nosso COO e Cofundador, Niklas Kluger, compartilhou insights sobre os benefícios inovadores do uso de pó de rocha na agricultura e seu papel no combate às mudanças climáticas.

A entrevista original pode ser lida em português na página do G1. Para tornar este conteúdo valioso mais acessível ao nosso público internacional, traduzimos a entrevista aqui.

Niklas Kluger discute apaixonadamente como o pó de rocha, um subproduto da mineração, pode rejuvenescer solos, reduzir a dependência de fertilizantes importados e sequestrar CO2 da atmosfera.

Na tradução a seguir, você descobrirá:

A Ciência por Trás do Intemperismo: Entender como o pó de rocha libera nutrientes essenciais no solo.

Benefícios para os Agricultores: Como este método melhora a estrutura do solo, aumenta a retenção de água e corrige os níveis de pH, levando a uma maior produtividade.

Impacto Econômico e Ambiental: Como o Intemperismo Aprimorado pode fortalecer a economia agrícola do Brasil enquanto contribui para os esforços globais de redução de carbono.

O Potencial Único do Brasil: Por que os solos tropicais e a indústria de mineração do Brasil o tornam um local ideal para implementar esta tecnologia em larga escala.

Junte-se a nós para explorar como a InPlanet está sendo pioneira em um futuro sustentável para a agricultura, acelerando um processo natural para aumentar a produtividade agrícola e combater as mudanças climáticas. Continue lendo para saber mais sobre a interseção inovadora entre agricultura, sustentabilidade ambiental e resiliência econômica.

Artigo Original:

‘Fábrica’ de solo: Startup usa de pó de rochas na agricultura como opção a fertilizantes importados e combate às mudanças climáticas | Piracicaba e Região | G1

Foto de Denise Guimarães/Esalq/USP para a InPlanet

‘Fábrica de Solo’: Startup Usa Pó de Rocha na Agricultura para Substituir Fertilizantes Importados e Combater as Mudanças Climáticas

Uma empresa europeia, com operações no Brasil e ativa no mercado de carbono, está propondo o uso de pó de rocha como método para remover CO2 da atmosfera.

O solo é um recurso natural vital, essencial para a produção de alimentos, manutenção de ecossistemas, recursos hídricos e regulação climática. O engenheiro ambiental Niklas Kluger, originário da Alemanha, compreende isso desde a infância. Ele escolheu o Brasil para implementar soluções agrícolas regenerativas através do processo de intemperismo.

Você sabe o que é intemperismo? – É essencialmente o processo de degradação das rochas. Mas como o pó de rocha pode beneficiar a agricultura e ajudar a combater as mudanças climáticas? Saiba mais no artigo abaixo.

Além de ajudar a combater as mudanças climáticas, Kluger vê o uso de pó de rocha como uma solução viável para reduzir a dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados, especialmente da Rússia, o que representa uma vulnerabilidade significativa no setor agrícola.

Ele trabalha com agricultores para restaurar seus solos e auxiliá-los na transição para uma agricultura sustentável, de baixo carbono e baseada na natureza.

Foto: Alexander Moskow para a InPlanet

‘Fábrica de Solo’

A startup, cofundada por Niklas Kluger, é uma empresa europeia engajada no mercado de carbono e está operando plenamente no Brasil. Ela usa pó de rocha na agricultura para remover CO2 da atmosfera.

Em conversa com g1, Kluger descreve a startup como uma 'fábrica de solo'. Nas suas palavras:

“Pode-se pensar em nós como uma fábrica de vida, uma fábrica de solo fresco. Ao aplicar rochas e minerais, criamos solo novo e vivo que fornece nutrientes, apoia uma produção agrícola valiosa e pode sequestrar CO2 da atmosfera, o que é uma grande responsabilidade deixada para nós pelas gerações anteriores”, diz ele.

As atividades de pesquisa e inovação ocorrem na Esalqtec, enquanto o lado comercial da startup opera na Alemanha.

“O Brasil tem condições ideais, com solos tropicais, e o uso de pó de rocha em terras agrícolas aqui mostra o maior potencial para remoção de carbono em todo o mundo”, acrescenta Niklas.
InPlanet COO Niklas Kluger holding a bag of rock powder
Foto de Denise Guimarães/Esalq/USP para a InPlanet

Como tudo começou?

Influenciado pelo avô, Kluger sempre foi apaixonado pela agricultura e sonhava em trabalhar com agricultura regenerativa.

“Meu objetivo era trabalhar na restauração do solo, encontrando soluções alternativas sustentáveis para a gestão agrícola. Sempre fui particularmente apaixonado por sistemas agroflorestais”, ele recorda.

Em 2013, Kluger veio ao Brasil pela primeira vez para trabalhar em centros juvenis para uma ONG em São Paulo. Ele retornou durante o pico da pandemia de COVID-19 em 2021, desta vez como gerente de projetos no Nordeste para a mesma organização, com foco em restauração e agricultura familiar.

Niklas mudou-se para São Paulo no início de 2022 para concluir seu mestrado e permaneceu para um programa de intercâmbio na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP), no campus de Piracicaba (São Paulo).

Através de sua conexão com professores e pesquisadores da instituição, ele alcançou seu objetivo. “Meu objetivo era trabalhar em ambos os continentes, América do Sul e Europa, desta vez investindo no mercado de carbono”, diz ele.

truck spreading rock powder
Foto: Alexander Moskow para a InPlanet

A InPlanet tem sede no Brasil e na Alemanha e está associada à Incubadora Tecnológica Esalqtec da USP em Piracicaba desde 2023.

“O Brasil já possuía legislação existente nesta área, e com a guerra na Ucrânia, a necessidade de encontrar formas alternativas para reduzir a dependência de fertilizantes da Rússia aumentou”, ele enfatiza.

📝 Neste artigo, você aprenderá:

– O que é intemperismo?

– Como os nutrientes são utilizados pelo solo durante o processo de intemperismo?

– Quais são os benefícios para o solo e a agricultura brasileiros?

– Qual o potencial do Brasil nesta área e o impacto das técnicas de intemperismo se adotadas em larga escala?

– É necessário investimento?

– O que é necessário para aplicação em larga escala no Brasil?

Niklas and Felix sitting on a pile of rock powder

O que é intemperismo?

Intemperismo é o processo natural de quebra e decomposição de materiais rochosos através de ações físicas, químicas e biológicas. O intemperismo de rochas silicáticas é essencialmente a dissolução ou desintegração da rocha, explica Niklas Kluger.

“É o processo chave na formação do solo. Todo solo no planeta hoje foi formado através do intemperismo. Assim, é um processo natural de formação do solo e, consequentemente, da formação da vida terrestre – o que tem acontecido em nosso planeta desde o início, desde que haja rochas, água e CO2 em nossa atmosfera”, ele explica.

“Além de formar o solo, ou durante o processo de dissolução da rocha, o CO2 também é sequestrado da atmosfera”, ele destaca.

“Toda a água em nosso ambiente contém uma pequena quantidade de ácido carbônico. Este ácido carbônico diluído reage com a rocha. A chuva é o meio que faz a atmosfera interagir com a rocha. A chuva carrega CO2 consigo e forma este ácido carbônico, um ácido suave que ataca a rocha e começa a dissolvê-la. Neste momento, ocorre a dissolução da rocha, ou intemperismo”, ele explica.


Como os nutrientes são utilizados pelo solo durante o processo de intemperismo?

“Quando um nutriente é liberado, como uma molécula de cálcio, magnésio ou potássio, um bicarbonato também é formado porque o cátion precisa de um ânion. E o ânion, neste caso, é o bicarbonato. O cátion é cálcio, magnésio, potássio – os nutrientes que os agricultores precisam. Além disso, o que resta deste processo são as argilas, os minerais secundários que os agricultores valorizam muito porque ajudam a criar um solo vivo e cheio de nutrientes”, ele observa.

Landscape of a farm with green fields and blue skies, a truck is crossing the field spreading rock powder


Quais são os benefícios para o solo e a agricultura brasileiros?

“Existem ‘cobenfícios’, como dizem os pesquisadores de carbono, incluindo liberação de nutrientes, melhora da estrutura do solo, aumento da retenção de água, correção do pH, formação de novas argilas, criando um ambiente mais fértil e, consequentemente, aumento da produtividade para o agricultor”, afirma Kluger.


Qual o potencial do Brasil nesta área e o impacto das técnicas de intemperismo se adotadas em larga escala?

O pesquisador Niklas Kluger, cofundador da InPlanet, enfatiza que o potencial do Brasil reside em ser uma potência mineradora e agrícola.

“Esses são os dois aspectos fortes. A espinha dorsal da economia brasileira é a mineração e a agricultura. Isso mostra que, além dos benefícios de ser um país tropical com solos intemperizados, tudo favorece um intemperismo mais eficiente e rápido. Somos um país da agricultura e da mineração. São exatamente os dois setores que precisamos para que essa tecnologia faça sentido, começando pelo investimento”, ele observa.


Seria esta uma solução para o dilema das importações de fertilizantes?

“Sim. Esse dilema de ter uma forte produção agrícola, mas importar pesadamente fertilizantes de alto valor, impede que o Brasil seja totalmente comparável às principais economias do mundo.”

hands playing with soil
Foto: Alexander Moskow para InPlanet


Precisa de um investimento enorme?

“O interessante dessa tecnologia é que o investimento pode ser relativamente baixo para escalá-la porque a logística para transportar rochas já existe. Os agricultores já possuem o equipamento para espalhar o pó de rocha”, diz o especialista.

“As operações de mineração já existem e estão moendo rochas, produzindo agregados para o setor da construção. Não precisa ser nada mais do que uma peneira adicional na mineração. Talvez um moedor mais potente possa produzir mais pó de rocha, mas o sistema básico já está lá. Não é ciência de foguetes, sabe? Produzir pó de rocha. A base já está estabelecida. A infraestrutura quase já existe”, ele acrescenta.

O que é necessário para aplicação em larga escala?

“Precisamos investir em pesquisa, obtendo mais conhecimento e criando mais evidências científicas de que esses insumos realmente têm todos esses impactos. Já existem evidências científicas substanciais, mas precisamos produzir ainda mais para estabelecê-la como uma tecnologia cientificamente comprovada.”

Qual setor precisa de mais incentivos?

O pesquisador e fundador da startup aponta que incentivos também são necessários para o setor de mineração “para produzir esses insumos em larga escala, em grandes quantidades. E então, o mercado de carbono entra em cena”, ele observa.

“Esta é uma demanda global crescente, tornando-se cada vez mais clara. Há cada vez mais demandas por compensação ambiental. […] Hoje em dia, temos milhões de toneladas de resíduos de operações de mineração neste país que podem ser utilizados para esta tecnologia”, ele destaca.

“O que propomos não só oferece uma solução ambiental, mas também entrega a maioria dos benefícios ao agricultor, reduzindo a dependência do Brasil de importações e tornando nossa comida mais saudável”, ele conclui.

Dr Philipp Swoboda and Dr Jessica Ferrarezi at InPlanet's lab — Photo: Alexander Moskow for InPlanet
Dr. Philipp Swoboda e Dra. Jessica Ferrarezi no laboratório da InPlanet — Foto: Alexander Moskow para InPlanet

Latest Posts

InPlanet team members gathered for a group photo at a rainforest retreat in Brazil, surrounded by tropical vegetation.
Culture

Empresa com modelo remoto-primeiro: Como a InPlanet projeta uma equipe global que realmente funciona

Construir uma empresa 'remote-first' não se trata apenas de permitir que as pessoas trabalhem de qualquer lugar. Requer projetar intencionalmente como as equipes colaboram, tomam decisões e...

No items found.
InPlanet secures 28,500 ERW credits agreement with Microsoft
Comunicado de Imprensa

InPlanet garante acordo para entregar 28.500 créditos de intemperismo de rochas acelerado à Microsoft

InPlanet garante acordo para entregar 28.500 créditos de intemperismo de rocha aprimorado à Microsoft, fornecendo remoção duradoura de carbono e...

Brazil
CDR
ERW
Sustainability
Crop field in Brazil with rows of plants and red soil.
Comunicado de Imprensa

Emitidos os primeiros créditos de remoção de carbono do mundo por intemperismo de rochas aprimorado

BRASIL, 6 de janeiro de 2025 – Hoje, a InPlanet e a Isometric anunciaram a primeira entrega de créditos de remoção de carbono verificados através de...

Brazil
ERW
Belém's Christmas tree seen from the water during Amazon boat trip
Insight

InPlanet na COP30: Representando o Sul Global. O Norte pode tomar nota.

Estando na Zona Azul da COP30, ficou claro para mim que uma das mudanças mais significativas não estava acontecendo dentro das salas de negociação formais, mas num Pavilhão lotado, C109. Não, não era um droide de Star Wars...

Brazil
Policy
Sustainability